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 :: Comércio Exterior - DECEX

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De frente para o mundo.

Clóvis Carneiro*

O Pará sempre esteve de frente para o mundo e toda vez que nos negamos a perceber ou aceitar isso temos o nosso desenvolvimento travado. Para vermos este quase axioma basta verificar terem sido os períodos de nosso maior crescimento aqueles cujos ciclos tiveram na vertente exportadora seu principal vetor. Foi assim, com as drogas do sertão, a borracha, a madeira e, agora com a era dos minérios. Somente, num breve período entre os anos sessenta e setenta, quando a Belém-Brasília tinha um custo barato de transporte (antes das crises do petróleo) estivemos próximos do Triangulo Brasileiro de Consumo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Das outras vezes, estivemos mais perto da Europa e Estados Unidos do que do Brasil. Também, concorrem para esta conclusão os índices das exportações na economia paraense.

Mas, só localização e vocação não farão o Pará efetivamente se desenvolver. Temos a ufanista idéia do mercado brasileiro como capaz de comprar os nossos produtos. Este é o nosso erro básico e a causa de não termos efetivamente uma indústria produtora de bens de consumo final.

Claro que vocação e sobre tudo a localização são vantagens consistentes. Contudo, é mais do que necessário implantarmos no Estado uma política econômica que privilegie o comércio exterior (exportação e importação), fazendo valer as duas vantagens. Para isso, devemos fugir do preconceito de governo: “exportação não gera imposto”; ou “os incentivos à exportação prejudicam o Estado”. Tudo balela, porque o emprego dela decorrente faz consumo interno e gera imposto.

Um instrumento interessante para aproveitarmos a vocação exportadora do Estado para o desenvolvimento será criarmos no estado um programa de maquila (montagem para a exportação), utilizando as nossas matérias-primas regionais. A indústria da movelaria poderá ser um exemplo do benefício do sugerido programa. Outros setores, como a metalurgia do alumínio, que abundam como exportadores primários ou semi-elaborados podem por está via agregar maior valor.

A legislação federal já permite que em áreas aduaneiras sejam instaladas indústrias de montagem com a finalidade de reexportação, cujos insumos nelas ingressem sem os respectivos impostos incidentes na entrada de mercadorias. Este favor fiscal é aplicável tanto aos insumos vindos do exterior quanto aos de origem nacional. Este é o detalhe relevante que poderá viabilizar agregarmos valores às nossas matérias-primas e já está aí posto na lei pronto para que dele façamos uso.

A possibilidade do Pará fazer valer em seu território um programa de maquila é uma alternativa que deve ser verificada e discutida pelo Governo do Estado e pelos empresários paraenses. A ACP já colocou o assunto na pauta, oferecendo-o ao debate na sua Agenda Mínima na última campanha eleitoral.


*Clóvis Carneiro é economista e Diretor de Assuntos Internacionais da ACP.

 

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